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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Medicina - Quem necessita mais? O povo ou os médicos?


Fico entristecido com a disputa de interesses entre o governo federal e a classe médica em nosso país. Para quem já desbravou os rincões do Brasil, já percebeu que em muitos lugares (não distantes dos grandes centros) a população valoriza mais a opinião de "Pajés" e "Curandeiros", agarrando-se firmemente em "benzedores" e "terapeutas espirituais". 

Por que será que ainda existe um grande número de pessoas que não acredita em médicos?

Primeiro, pela ausência destes profissionais nos despreparados e desequipados "centros de saúde", ou "postinhos", ou até mesmo "hospitais", restando somente os tratamentos alternativos.

Segundo, quando existem tais profissionais, estes são recém-formados, inexperientes, despreparados, não sabem atender ao público, não sabem trabalhar em equipe, e até mesmo prepotentes e se acham "semi-deuses", gerando uma enormidade de análises e tratamentos falhos, tanto no SUS, quanto convênios e particulares.

Terceiro, quando atendem pelo SUS, muitos médicos atrasam em atendimentos e plantões, criando demoras e filas extremas.



Quarto, cobrar "extras" para "melhorar o rendimento", tanto em convênios quanto pelo SUS.

Quinto e não menos importante, pela falha estrutural na rede de saúde, faltando equipamentos e ambientes preparados para o atendimento.

Entendo as necessidades e preocupações da classe médica, porém, a necessidade da população é muito maior que a necessidade da classe médica.

Não me importo se o governo está negociando as vagas de médicos com outros países, importo-me sim se existe ou não o atendimento médico que a população necessita.

Vejo crescer a quantidade de especialistas em medicina estética, neurologia, cardiologia e gastroenterologia, porém, onde estão os especialistas em clínica médica, geriatria, dermatologia, pediatria, ortopedia, pneumologia, oncologia, entre outros, que tiveram diminuidas a relação especialista x população nos últimos tempos. Será que tal diminuição deve-se aos rendimentos de tais especialidades quando comparadas com as citadas anteriormente? Será que não estão sendo criados alguns "mercenários" do futuro especialistas em abdominoplastia e cirurgia bariátrica?

Poucos profissionais estão optando em atender idosos, ou "perebentos", pois o lucro com silicone é maior, mas nos rincões do Brasil não se colocam implantes, e o número de "perebentos" e "velhinhos" é maior que em grandes centros, com opções limitadas de lazer e mais chances de espalharem-se fatos relativos a erros médicos.

Cito ainda os casos de profissionais da saúde que recebiam pelo SUS, e atendiam em seus consultórios a particulares e convênios, ou aqueles que ainda atendiam ao INSS, fornecendo laudos favoráveis a quem não necessitava, ou negando laudos a quem realmente tinha o direito à aposentadoria.

Conheci muitos profissionais extremamente competentes, porém, a classe ainda é desabonada pela incompetência de tantos outros profissionais da classe médica.

À você, médico competente, que trabalha em um grande centro, convido a trabalhar em cidades como: Sena Madureira - AC, Alto Taquari - MT, Caroebe - RR, Pacajá - PA, Alvorada - TO, Morros - MA, Miranda - MS, Fazenda Nova - GO, Ventania - PR, Doutor Ulysses - PR, Lindóia do Sul - SC, Cacequi - RS, entre outras tantas, onde ainda falta o atendimento médico devido, e outras tantas onde os "curandeiros" estão dispostos a fazer a obrigação de um médico.

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